Iemanjá e o arquétipo do feminino: mitos, neurociência e espiritualidade

Iemanjá e o arquétipo do feminino: mitos, neurociência e espiritualidade

No dia 2 de fevereiro, celebramos Iemanjá, a Rainha do Mar, a Grande Mãe das águas que acolhe, protege e renova.

Mas para além da festa, das oferendas e da devoção, essa entidade carrega um significado profundo que ultrapassa religiões e crenças: ela representa um arquétipo universal do feminino e sua influência na nossa mente, energia e performance.

O que são arquétipos?

Os arquétipos são padrões primordiais de comportamento, imagens e ideias que habitam o inconsciente coletivo, conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung.

Eles são herdados culturalmente e geneticamente, manifestando-se em mitos, lendas e figuras simbólicas ao longo da história da humanidade. O arquétipo de Iemanjá representa a energia maternal, acolhedora, fluida e intuitiva que existe em todos nós, independentemente de gênero.

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A influência dos arquétipos na mente e na neurociência

Do ponto de vista da neurociência, os arquétipos impactam nossa percepção de mundo, nossas emoções e nossas tomadas de decisão.

O cérebro humano opera por meio de padrões e associações simbólicas. Quando um arquétipo é ativado (por meio de histórias, imagens ou experiências), ele desencadeia respostas neuronais e hormonais que afetam diretamente nossa energia e comportamento.

O arquétipo de Iemanjá, por exemplo, ativa regiões do cérebro ligadas à empatia, ao acolhimento e ao pertencimento. Isso pode influenciar positivamente nossa relação com os outros e com nós mesmos, favorecendo a estabilidade emocional e até a produtividade.

Iemanjá e outras expressões do feminino nas culturas

A energia representada por Iemanjá não é exclusiva das tradições afro-brasileiras. Ao longo da história, diferentes culturas trouxeram figuras similares:

  • Afrodite (Grécia) – Deusa do amor e da fertilidade, nascida das espumas do mar, assim como Iemanjá.

  • Lakshmi (Hinduísmo) – Divindade da abundância e da prosperidade, também associada às águas.

  • Háthor (Egito Antigo) – Deusa da maternidade, do prazer e da proteção.

  • A Deusa Mãe (Culturas Indígenas) – Encontrada em diversas mitologias como a grande nutridora da vida.

Todas essas figuras compartilham aspectos do feminino sagrado: a capacidade de gerar, nutrir e transformar.

Cada mulher, em sua jornada, manifesta esses arquétipos de maneiras diferentes, dependendo do contexto e da fase da vida em que se encontra.

O sagrado feminino e sua manifestação

O conceito de sagrado feminino vai além da espiritualidade: trata-se do reconhecimento das energias femininas presentes em todas as pessoas.

Ele se manifesta no autocuidado, na intuição, na empatia e na capacidade de adaptação – qualidades essenciais para uma vida equilibrada.

O feminino não se restringe a um único estereótipo. Em algumas situações, manifesta-se de forma acolhedora e serena, como Iemanjá. Em outras, pode ser feroz e transformador, como Kali no hinduísmo.

Cada mulher traz dentro de si a potência de expressar diferentes facetas desse feminino de acordo com suas experiências, desafios e aspirações.

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Desmistificando o preconceito

Infelizmente, ainda existe um grande preconceito em relação às expressões do feminino sagrado, especialmente no Brasil, onde práticas de matriz africana são frequentemente marginalizadas.

É fundamental compreender que honrar Iemanjá não significa aderir a uma religião específica, mas sim reconhecer e respeitar as diversas formas de manifestação do sagrado e do feminino.

Conclusão

O dia de Iemanjá é uma oportunidade para refletirmos sobre nossa própria relação com o feminino, com as águas internas que habitam nossa psique.

Como estamos nutrindo nossas emoções? Como estamos fluindo com as marés da vida?

Que possamos nos conectar com a sabedoria das águas e permitir que o arquétipo de Iemanjá nos ensine sobre acolhimento, força e renovação.

Odôyá! 🌊💙

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